segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

País da Burocracia


As vezes quando ando pela rua, fico olhando para as casas e os edifícios com seus apartamentos, e tenho a impressão que tudo na vida do homem e encontrar um lugar para morar. Óbvio que não, que isso é só uma parcela de nossas reais preocupações, como diria Raul Seixas
dois problemas se misturam:   
a verdade do universo e a prestação que vai vencer
ou então como pensava Drummond
o mundo é mesmo de concreto armado
Até o momento não tive desejo de aquisição. Gosto da liberdade de saber que estou livre para sair de minha caverna a qualquer momento, e ir explorar outras cavernas em quaisquer outros lugares. Mas na realidade, as coisas não são bem assim. Antes de me decidir a mudar, tenho que pagar a multa rescisória do contrato de aluguel, se tiver multa rescisória (no meu caso particular, não tenho, mas não importa), tenho que providenciar a mudança de endereço para receber as correspondências no endereço novo, e mais uma série de incomodações. De todo modo, isso não deve impedir que eu pare de entregar o meu dinheiro de forma tão gratuita para outro, e comece a pagar por algo meu, porque como todo mundo sabe, amanhã ou depois se eu quiser sair desse lugar, tenho ainda a opção de vender ou alugar. Claro que não me livraria das perturbações burocráticas nesse caso, e de contar ainda com a sorte para encontrar um comprador que pague um preço justo. Todavia, quando vou começar a "mexer os pausinhos" para quem sabe comprar um imóvel me deparo com uma série de procedimentos burocráticos, infinitamente chatos, e que sem esse aborrecimento, não é possível adquirir o imóvel, a não ser que se tenha muita grana para bancar todas essas chatices. Nessas horas eu entendo porque alegam que o Brasil é o país da Burocracia...
Olhar para a rua acaba por me consolar, pois se tantos outros conseguiram seu imóvel, é bem possível que eu vá conseguir também, com uma boa dose de paciência, um certo tempo para se dedicar aos aborrecidos procedimentos burocráticos, e tudo acabará bem... Mas mesmo assim, não comprarei um imóvel com a intenção de dizer "é meu" como a maioria. Comprarei um imóvel para deixar de ser idiota e ficar desperdiçando minha grana de forma tão imprudente, apesar de eu não pensar assim, e pensar que esteja fazendo um bom negócio ao me manter de aluguel, não é o que a maioria diz, e dessa vez eu resolvi, contra todas as expectativas, a não ir contra a maioria, só pra ver  o que acontece... Já que o mundo é assim mesmo de concreto armado, e não dá para ficar só viajando pensando nos problemas da filosofia e demais ciências, tem que se por os pés no chão, parafraseando Fernando Pessoa: sejamos tributários!!!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Minha Arte

Estava pronto para dormir, mas algo me dizia que aquele ainda não era o momento certo. Tinha lido alguma coisa na internet sobre saber buscar em seus ídolos as nuances que poderia me ajudar em minha arte. O problema que acabou por me despertar é que eu não sabia qual era minha arte. Eu gosto de muitas coisas: música,  literatura,  pesca,  direito,  etc... Em todas essas áreas eu tenho ídolos!!! Em todas essas áreas gosto de dedicar certo tempo de minha vida e acreditar que tenho alguma contribuição pra empregar. Como posso captar as nuances desses artistas e despejar sobre minha aparência,  meu modo de ser,  minha caracterização? Impossível dormir com essa problemática na cabeça!!! Fui me sentar à escrivaninha e me pus a escrever esse texto no tablet, mas não sem antes preparar uma dose de vodka grapefruit Danzka que trouxe do freeshop na Argentina, misturada com bebida Nestea de chá verde com limão e muito gelo, p'ra libertar à inspiração enquanto grilos e motos fazem do silêncio da noite na rua um espetáculo sonoro. Eu estava confuso, mas o medo de já saber de antemão que por mais que eu refletisse a respeito dessa condição jamais sairia do impasse não foi capaz de me enriquecer os dedos, paralisar a mente fervilhando. Minha garantia estava em simplesmente encher outro copo com o composto já mencionado, e esperar a noite me trazer o que ela me preparava com tanto cuidado. Poderia obviamente ser esse texto que aqui desencanto, pois bem já seria muito em vista do último blackout que meu cérebro traidor se deu a audácia de me aplicar. Entusiasmos se confundiam com a certeza que esse era apenas um texto de férias e que amanhã, ou melhor hoje, eu pagaria o preço de não ter ido dormir mais cedo. Há pelo menos três anos atrás dormir tarde não era um problema... e falar em se parecer com seus ídolos é falar de utopias, pois cada vez mais é impossível ser Nietzsche,  Sartre,  Dylan ou mesmo Kelsen. Fernando Pessoa ou um de seus heterônimos já sabia disso. Bem, acho que era só isso mesmo que a noite me reservara e para não desperdiçar mais um copo de minha química vou beber esse proximo copo ao som do Humberto Gessinger que me concedeu a inspiração inicial para escrever esse texto que posto agora em meu blog, enquanto o cachorro da vizinhança não para de latir, sem fogos de artifícios.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

2014 Secular!

Por um 2014 mais secular! Pois o pluralismo religioso é a comprovação direta da crise das igrejas! Com efeito, isso não nos impede de sermos cristãos, afeitos à oração, a tentativa inútil de nos aproximarmos do Cristo... Nada nos impede ainda de vermos em Deus a resposta para tudo o que ainda não tem resposta, mesmo sem a igreja por perto... Onde tem alguém pregando em nome de Deus sob a égide de uma igreja qualquer, já começo a desconfiar, porque vai querer algo além da minha fé! A minha fé não pertence a nenhum pastor ou padre, ou líder religioso. A minha fé pertence àquilo que dedico minha crença, e nada mais... Isso é ser devoto a Deus, é buscar ainda assim os princípios cristãos de irmandade, desconfigurados da relação com as igrejas, e por si só, rejeitado pela sociedade atual, que apesar dos valores iluministas tão nítidos em nossa época, ainda mantém em seu amâgo a atitude de um radical, e vive como se vivêssemos no velho testamento... Não me acho o escolhido, longe de mim pensar assim, nem penso ser a pessoa certa para a salvação, não sou tão hipócrita! Aqueles que vão em um culto, missa, o escambal e depois se comportar ao avesso do que foram buscar são piores do que os que não frequentam a igreja...

domingo, 2 de junho de 2013

A Fórmula do Existencialismo de Sartre

Penso que se concentrar com tal obstinação nas atividades de escritor, como o fez o filósofo francês Jean-Paul Sartre, foi uma forma não convencional de se curar de alguns defeitos internos, relacionados a desvios de conduta, postura social, comportamento, etc. No entanto, esse tratamento foi na realidade um paliativo, que talvez em seu julgamento estava suficientemente bom. Pensando ainda melhor, também não há nada de errado com isso, e até mesmo pode se considerar que exista algo de positivo. O nosso escritor francês, dado sua formação conturbada, como fica evidente em As Palavras, sua autobiografia, desenvolve vários transtornos em sua psiquè, como os relacionados ao sexo. Quando se percebe então doentio, resolve ser  ao mesmo tempo médico e paciente. Inventa então seu próprio emplasto que lhe proporcionará sua forjada cura. É mesmo esse emplasto sua tábua de salvação e o que lhe trará de volta para o seio da sociedade civil, desta feita não mais como mero participante, mas também como inventor da história e até de sua própria história - estará fundado o existencialismo. Sua doença é nítida a medida que percebemos por exemplo sua aproximação com Freud, sua procura de entender a psicanálise, também sua identificação com grandes personalidades, todas detentoras de mazelas mentais. É só analisarmos por exemplo, Flaubert. Realmente um dos coadjuvantes para potencializar seus transtornos pode bem ter sido como o próprio Sartre nos revelou a descoberta de sua feiura, e também porque não de ser zarolho e baixinho para a média. E eis que é o próprio Sartre quem nos fornece a fórmula para o que aqui buscamos: provar que por trás dessa obsessão em escrever, e até mesmo das bases da ideologia existencialista, existe um ser tentando se proteger, se curar, se desvencilhar e se salvar de si mesmo. É o próprio filósofo quem nos comunica em seus Les Carnets de la Drôle de Guerre Percebo que nessa atitude (sua obsessão) existe uma segurança irritante para os outros porque ela vem, apesar de tudo, de algo que deixei intacto em mim mesmo, por baixeza. É, mais uma vez Freud estava certo!
Quando transcrevo um texto que foi traduzido temo sempre que o tradutor tenha sido melhor que o autor.