Estava pronto para dormir, mas algo me dizia que aquele ainda não era o momento certo. Tinha lido alguma coisa na internet sobre saber buscar em seus ídolos as nuances que poderia me ajudar em minha arte. O problema que acabou por me despertar é que eu não sabia qual era minha arte. Eu gosto de muitas coisas: música, literatura, pesca, direito, etc... Em todas essas áreas eu tenho ídolos!!! Em todas essas áreas gosto de dedicar certo tempo de minha vida e acreditar que tenho alguma contribuição pra empregar. Como posso captar as nuances desses artistas e despejar sobre minha aparência, meu modo de ser, minha caracterização? Impossível dormir com essa problemática na cabeça!!! Fui me sentar à escrivaninha e me pus a escrever esse texto no tablet, mas não sem antes preparar uma dose de vodka grapefruit Danzka que trouxe do freeshop na Argentina, misturada com bebida Nestea de chá verde com limão e muito gelo, p'ra libertar à inspiração enquanto grilos e motos fazem do silêncio da noite na rua um espetáculo sonoro. Eu estava confuso, mas o medo de já saber de antemão que por mais que eu refletisse a respeito dessa condição jamais sairia do impasse não foi capaz de me enriquecer os dedos, paralisar a mente fervilhando. Minha garantia estava em simplesmente encher outro copo com o composto já mencionado, e esperar a noite me trazer o que ela me preparava com tanto cuidado. Poderia obviamente ser esse texto que aqui desencanto, pois bem já seria muito em vista do último blackout que meu cérebro traidor se deu a audácia de me aplicar. Entusiasmos se confundiam com a certeza que esse era apenas um texto de férias e que amanhã, ou melhor hoje, eu pagaria o preço de não ter ido dormir mais cedo. Há pelo menos três anos atrás dormir tarde não era um problema... e falar em se parecer com seus ídolos é falar de utopias, pois cada vez mais é impossível ser Nietzsche, Sartre, Dylan ou mesmo Kelsen. Fernando Pessoa ou um de seus heterônimos já sabia disso. Bem, acho que era só isso mesmo que a noite me reservara e para não desperdiçar mais um copo de minha química vou beber esse proximo copo ao som do Humberto Gessinger que me concedeu a inspiração inicial para escrever esse texto que posto agora em meu blog, enquanto o cachorro da vizinhança não para de latir, sem fogos de artifícios.
Porque entendo que é preciso questionar a realidade, buscar entendê-la e não apenas vivenciá-la.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
2014 Secular!
Por um 2014 mais secular! Pois o pluralismo religioso é a comprovação direta da crise das igrejas! Com efeito, isso não nos impede de sermos cristãos, afeitos à oração, a tentativa inútil de nos aproximarmos do Cristo... Nada nos impede ainda de vermos em Deus a resposta para tudo o que ainda não tem resposta, mesmo sem a igreja por perto... Onde tem alguém pregando em nome de Deus sob a égide de uma igreja qualquer, já começo a desconfiar, porque vai querer algo além da minha fé! A minha fé não pertence a nenhum pastor ou padre, ou líder religioso. A minha fé pertence àquilo que dedico minha crença, e nada mais... Isso é ser devoto a Deus, é buscar ainda assim os princípios cristãos de irmandade, desconfigurados da relação com as igrejas, e por si só, rejeitado pela sociedade atual, que apesar dos valores iluministas tão nítidos em nossa época, ainda mantém em seu amâgo a atitude de um radical, e vive como se vivêssemos no velho testamento... Não me acho o escolhido, longe de mim pensar assim, nem penso ser a pessoa certa para a salvação, não sou tão hipócrita! Aqueles que vão em um culto, missa, o escambal e depois se comportar ao avesso do que foram buscar são piores do que os que não frequentam a igreja...
domingo, 2 de junho de 2013
A Fórmula do Existencialismo de Sartre
Penso que se concentrar com tal obstinação nas atividades de escritor, como o fez o filósofo francês Jean-Paul Sartre, foi uma forma não convencional de se curar de alguns defeitos internos, relacionados a desvios de conduta, postura social, comportamento, etc. No entanto, esse tratamento foi na realidade um paliativo, que talvez em seu julgamento estava suficientemente bom. Pensando ainda melhor, também não há nada de errado com isso, e até mesmo pode se considerar que exista algo de positivo. O nosso escritor francês, dado sua formação conturbada, como fica evidente em As Palavras, sua autobiografia, desenvolve vários transtornos em sua psiquè, como os relacionados ao sexo. Quando se percebe então doentio, resolve ser ao mesmo tempo médico e paciente. Inventa então seu próprio emplasto que lhe proporcionará sua forjada cura. É mesmo esse emplasto sua tábua de salvação e o que lhe trará de volta para o seio da sociedade civil, desta feita não mais como mero participante, mas também como inventor da história e até de sua própria história - estará fundado o existencialismo. Sua doença é nítida a medida que percebemos por exemplo sua aproximação com Freud, sua procura de entender a psicanálise, também sua identificação com grandes personalidades, todas detentoras de mazelas mentais. É só analisarmos por exemplo, Flaubert. Realmente um dos coadjuvantes para potencializar seus transtornos pode bem ter sido como o próprio Sartre nos revelou a descoberta de sua feiura, e também porque não de ser zarolho e baixinho para a média. E eis que é o próprio Sartre quem nos fornece a fórmula para o que aqui buscamos: provar que por trás dessa obsessão em escrever, e até mesmo das bases da ideologia existencialista, existe um ser tentando se proteger, se curar, se desvencilhar e se salvar de si mesmo. É o próprio filósofo quem nos comunica em seus Les Carnets de la Drôle de Guerre Percebo que nessa atitude (sua obsessão) existe uma segurança irritante para os outros porque ela vem, apesar de tudo, de algo que deixei intacto em mim mesmo, por baixeza. É, mais uma vez Freud estava certo!
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Skeleton Keys
Andei por trilhos tortuosos, nessa primeira quinzena de maio, em visões rimbaudianas de caos, de interrupção. A vida destituiu-se de sentido, mas não a vida enquanto conceito, mas a minha vida. Perdi-me por alguns dias, algumas horas. De fato, não estava especialmente perdido, estava procurando o tempo inteiro me encontrar. Um reencontro consigo mesmo em vez de quando é necessário. Mas também não sei até que ponto isso possa ter resolvido algo. Estou descrente em relação a mim mesmo. Bom, e se eu mesmo não acredito em mim, a coisa é séria! Já viu autoestima mais baixa? Pode parecer só mais uma crise existencial, uma de tantas outras em todos os meses. Essa languidez que carrego desde os meus quatorze anos de idade, tem suas origens no convívio social e já me trouxe muitos problemas.
Vivo de recomeços mesmo, e é sempre um pretexto para tentar se livrar do passado, se livrar do fardo de ser quem se é. Na minha percepção mais sensível, não sou apenas eu dono destes sentimentos, mas nem todos conseguem admitir, e criam mecanismos para ludibriar essa falta de sentido, esse vazio. Afinal de contas, que sentido pode haver para nossas vidas, ainda mais em tempos de pura anarquia!?. Como encontrar o sentido na correria de cada dia, em nossas mentes cansadas, nossos corpos fartos do trabalho, dos peso social, da carga psicológica nossa e dos outros? Tentamos desesperadamente nos agarrar a Deus, único sentido para a falta de sentido. Mas em contrapartida, estamos tão distantes dos princípios do cristianismo.
Destarte, sem a busca não há sentido. Vai saber se por fim, na morte não estejam mesmo as skeleton keys, como em Jonh Keats. Bem, todos sabem, no fim esperamos pela morte. Em qualquer mitologia e até mesmo na própria tradição cristã a morte enseja a passagem para o novo, para aquilo que não compreendemos mais. Com efeito, não dá para ficar apenas esperando o advento da morte para só então entender o que se passou e/ou o que virá. Também não parece adequado abreviar a passagem para essa terra adiantando o desvendamento do mistério, sem ao menos saber quais as consequências de tal ato no porvir. Melhor deixar o tempo correr, fugir como manda nossos instintos mais primitivos dos perigos de morte, proteger a vida como nos ensina o cristianismo, apesar de sabermos que a morte pode mesmo ser a chave de tudo, donec aliter provider*.
*até que se proceda diferente.
*até que se proceda diferente.
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