Penso que se concentrar com tal obstinação nas atividades de escritor, como o fez o filósofo francês Jean-Paul Sartre, foi uma forma não convencional de se curar de alguns defeitos internos, relacionados a desvios de conduta, postura social, comportamento, etc. No entanto, esse tratamento foi na realidade um paliativo, que talvez em seu julgamento estava suficientemente bom. Pensando ainda melhor, também não há nada de errado com isso, e até mesmo pode se considerar que exista algo de positivo. O nosso escritor francês, dado sua formação conturbada, como fica evidente em As Palavras, sua autobiografia, desenvolve vários transtornos em sua psiquè, como os relacionados ao sexo. Quando se percebe então doentio, resolve ser ao mesmo tempo médico e paciente. Inventa então seu próprio emplasto que lhe proporcionará sua forjada cura. É mesmo esse emplasto sua tábua de salvação e o que lhe trará de volta para o seio da sociedade civil, desta feita não mais como mero participante, mas também como inventor da história e até de sua própria história - estará fundado o existencialismo. Sua doença é nítida a medida que percebemos por exemplo sua aproximação com Freud, sua procura de entender a psicanálise, também sua identificação com grandes personalidades, todas detentoras de mazelas mentais. É só analisarmos por exemplo, Flaubert. Realmente um dos coadjuvantes para potencializar seus transtornos pode bem ter sido como o próprio Sartre nos revelou a descoberta de sua feiura, e também porque não de ser zarolho e baixinho para a média. E eis que é o próprio Sartre quem nos fornece a fórmula para o que aqui buscamos: provar que por trás dessa obsessão em escrever, e até mesmo das bases da ideologia existencialista, existe um ser tentando se proteger, se curar, se desvencilhar e se salvar de si mesmo. É o próprio filósofo quem nos comunica em seus Les Carnets de la Drôle de Guerre Percebo que nessa atitude (sua obsessão) existe uma segurança irritante para os outros porque ela vem, apesar de tudo, de algo que deixei intacto em mim mesmo, por baixeza. É, mais uma vez Freud estava certo!
Porque entendo que é preciso questionar a realidade, buscar entendê-la e não apenas vivenciá-la.
domingo, 2 de junho de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Skeleton Keys
Andei por trilhos tortuosos, nessa primeira quinzena de maio, em visões rimbaudianas de caos, de interrupção. A vida destituiu-se de sentido, mas não a vida enquanto conceito, mas a minha vida. Perdi-me por alguns dias, algumas horas. De fato, não estava especialmente perdido, estava procurando o tempo inteiro me encontrar. Um reencontro consigo mesmo em vez de quando é necessário. Mas também não sei até que ponto isso possa ter resolvido algo. Estou descrente em relação a mim mesmo. Bom, e se eu mesmo não acredito em mim, a coisa é séria! Já viu autoestima mais baixa? Pode parecer só mais uma crise existencial, uma de tantas outras em todos os meses. Essa languidez que carrego desde os meus quatorze anos de idade, tem suas origens no convívio social e já me trouxe muitos problemas.
Vivo de recomeços mesmo, e é sempre um pretexto para tentar se livrar do passado, se livrar do fardo de ser quem se é. Na minha percepção mais sensível, não sou apenas eu dono destes sentimentos, mas nem todos conseguem admitir, e criam mecanismos para ludibriar essa falta de sentido, esse vazio. Afinal de contas, que sentido pode haver para nossas vidas, ainda mais em tempos de pura anarquia!?. Como encontrar o sentido na correria de cada dia, em nossas mentes cansadas, nossos corpos fartos do trabalho, dos peso social, da carga psicológica nossa e dos outros? Tentamos desesperadamente nos agarrar a Deus, único sentido para a falta de sentido. Mas em contrapartida, estamos tão distantes dos princípios do cristianismo.
Destarte, sem a busca não há sentido. Vai saber se por fim, na morte não estejam mesmo as skeleton keys, como em Jonh Keats. Bem, todos sabem, no fim esperamos pela morte. Em qualquer mitologia e até mesmo na própria tradição cristã a morte enseja a passagem para o novo, para aquilo que não compreendemos mais. Com efeito, não dá para ficar apenas esperando o advento da morte para só então entender o que se passou e/ou o que virá. Também não parece adequado abreviar a passagem para essa terra adiantando o desvendamento do mistério, sem ao menos saber quais as consequências de tal ato no porvir. Melhor deixar o tempo correr, fugir como manda nossos instintos mais primitivos dos perigos de morte, proteger a vida como nos ensina o cristianismo, apesar de sabermos que a morte pode mesmo ser a chave de tudo, donec aliter provider*.
*até que se proceda diferente.
*até que se proceda diferente.
terça-feira, 9 de abril de 2013
A Prova de Deus, e não à Prova de Deus.
Pode até ser que a história do mundo e do homem não seja nada do que nossa tradição nos ensinou, mas daí para negar a Deus já é outra delírio. Como negar essas sensações que me acompanham de equilíbrio, força, sabedoria quando oro a Deus, quando tento andar reto, com o oposto, a angústia, a dor e o sofrimento que me acompanham sempre que me afasto do Soberano? Como negar a permissão que existe em cada amanhecer para que eu abra meus olhos, levante da cama e comece o meu dia? Essa permissão é algo divino ou natural? E se for natural, de onde provém a natureza das coisas se não for de uma liberação e existência divina. É por isso que sempre que busco invocar a Deus, busco também pedir o perdão pela minha ignorância e pelos limites de minha sabedoria, pois posso muito bem estar acreditando em algo que não seja assim por dizer, tão divino, que possa ser até mesmo obra do demônio. Deus, se é Deus, já sabe de tudo isso, mas a minha atitude de me prostrar diante do Altíssimo e lhe suplicar o perdão demonstra o meu temor, a minha devoção para com Ele.
Outra argumentação plausível é referente a Jesus Cristo, como único filho (João 3: 16-17), quando na verdade todos nós somos filhos de Deus Pai. Deus, em sua onipotência, poderia enviar quantos filhos fosse de sua vontade. Para que o Pai, criou, através de Jesus, todo um caminho para o Homem percorrer, tão diverso das disputas narradas no Antigo Testamento, a ponto de deixar confusa as cabeças alheias? Para que um Deus precisa se personificar em Humano para dar ao Homem a salvação eterna? Para que passar seu filho por extremo sofrimento, se é ele Deus? Será que se vangloria, que é complacente com o sofrimento? Tudo isso só faz me crer mais e mais em Deus e em Jesus Cristo. Pois, em contrapartida, também me pergunto: o que faz com que um homem passe por tantas provações, como Jó, como o próprio Jesus Cristo, sem nunca renegar o nome de Deus? Deus sendo Deus parece não agir como tal. Mas só parece. Em verdade, O Grande Criador está a cada dia impondo suas mãos para que esse mundo continue, para que todos possam passar pelo milagre da fé.
sábado, 16 de março de 2013
Excertos do meu Livro

Perdemos
o sentido da vida facilmente. Não é preciso muito não! Uma doença, um desafeto,
uma decepção, somos muito fragilizados a estes tipos de emoção. O ser humano
não foi feito para amar e sim para sofrer, e isto é até biblíco. Aprendi isso
depois que comecei a ficar doente. Meus dias são tão negros! Eu sei que nem
todo mundo sofre deste mal ou algo parecido. As pessoas ainda acreditam na
felicidade, mas para mim, quando falo de felicidade, é como se estivesse
falando de algo apenas imaginário, mas nunca atingível. É possível, acredito,
que tenhamos momentos felizes. E talvez seja apenas isso que me resta porque
essa vida é demasiado confusa! Há sempre aquele que pensa viver num conto de
fadas onde tudo é belo e bom. E há aquele que vive a realidade dura e crua, sem
qualquer emoção. E há o meio termo, a terça parte e o um terço. E há tudo isso
num só ser. Eu já provei do gosto amargo da vida e já sou suficientemente
adulto em relação a isso.
***
Então
eu nasci para fazer o quê? Essa acaba por ser uma pergunta muito difícil,
porque hoje podemos pensar que é uma coisa e amanhã vamos descobrir que é outra
totalmente diferente. Eu gostaria de ser escritor, mas quando me deparei com a possibilidade
de decidir meu futuro, pensei mais no conforto e na segurança. Como funcionário
público certamente teria estabilidade no emprego. Então, acabei por fazer a
escolha da opção mais cômoda. Estudei durante todo um ano para passar em um
concurso público, e consegui passar entre os primeiros colocados o que já me
garantiu a vaga. Depois vem o aprendizado da nova profissão, os novos colegas,
a inturmação, as descobertas, e isso vai comendo anos e quando a gente se dá
conta já fez a escolha que decidira sua vida, já está a meio passo dela se
findar e acabou por fazer tudo errado. O medo, a insegurança, a falta de
imaginação e confiança em si mesmo levaram-me a querer logo decidir minha vida,
já nos primeiros anos da vida adulta. Casei-me com uma mulher que amava, e que
mudou muito em cinco anos. Temos um filho em comum. Separei-me quando comecei a
ter rompantes de melancolia e quando comecei a tentar resgatar todo o tempo
perdido. Por essa época, eu me trancava na biblioteca e lia de forma exacerbada.
Até mesmo no trabalho, se tinha alguma folga puxava um livro. Em casa a noite,
de madrugada, estava sempre estudando. Estudei muita filosofia, comecei a
escrever diários, e perdi a mulher. Não sei o que aconteceu primeiro nesse
caso. Confesso que nisso tudo não há sequer arrependimento, ao menos fiz um
esforço para recuperar aquele que eu queria ser. Montei uma biblioteca
particular, mudei-me para este apartamento que me permitia ter um quarto só
meu, onde montei um escritório. Comprei uma secretária antiga, que seria meu
local de trabalho. Enquanto estivesse em casa eu iria trabalhar na produção
literária e filosófica. Durante dois anos me favoreci de meus estudos,
aplicando aqui e ali o que eles me ensinaram, de maneira tão precisa que não
deixava margens para dúvidas sobre o sentido da vida. E de repente veio a
surpresa, minha rotina se diluiu, meu mundo se desmoronou, mudara o ponto de
onde obtinha meus pontos de vista, e agora estou aqui, vazio!
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