sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Daniel entre os Leões

Muitas vezes, demoramos um certo tempo para entender a gênese dos nossos problemas. Em alguns momentos é preciso reconstruir todo um quadro, até se chegar a descoberta do que pode estar ocasionando nosso desgaste, nossas decepções. Pode ser que a causa de nossas atribulações esteja dentro de nós mesmos, mas é preciso mesmo é decifrar o enigma da esfinge - decifra-me ou te devoro! Com o cuidado de um tecelão antigo vamos tecendo o conjunto de nossos últimos momentos, ligando os pontos principais e qual nossa surpresa: descobrimos estupefatos que de fato o mal existe e parece se utilizar das mentes fracas para exercer suas perversidades contra nós. Sim, existem pessoas que apesar de se dizerem "cristãos" devotos, apesar de se propagarem "francas" e outras tantas qualidades a mais, estão na verdade servindo ao Diabo e seguindo os princípios do inferno, porque preparam-se ardilosamente para derrubarem aqueles que já um dia lhe estendeu o braço, ou que talvez lhes prestou atenção, ou mesmo que nada lhes tenha feito. Mas com a proteção de Deus, passamos a enxergar por sobre a turbidez do momento, e deciframos a esfinge, escapando quase que pela tangente de sermos devorados. É bom podermos ainda com tudo isso olhar novamente para aquelas pessoas que nos atiraram ao leões - assim como Daniel fora atirado por aqueles que queriam mal (Daniel 6: 1-28), mas Deus com sua justiça selou a boca dos leões - e podermos lhe mostrar que o bem ainda vence o mal, e que se elas não tem amor no coração que ao menos deixem com que os outros sejam felizes. Importa ainda ressaltar, é mais fácil olhar a trave no olho do outro, sem notarmos a viga que está no nosso olho. Hipócritas! (Lucas 6: 41-42).

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Infância*

       Será que Roger Garaudy se visualiza como responsável pela infelicidade de seus pais, pelo menos na parte relacionada à situação financeira? ele assim nos relata "Apesar de ser 'pupilo da nação', e bolsista, isto destruirá toda a vida de meus pais. De meu nascimento até minha formatura, eles não vão a um espetáculo, uma festa, não tem um prazer: duas vidas sacrificadas por uma, a minha, na qual eles depositaram sua alegria." (p. 18) Nitidamente ele nos expõe de maneira dramática até as privações as quais seus pais se submetiam para que a criança pudesse então estudar. Antes desse parágrafo ele assim descreve um dos esforços de sua mãe para lhe prouver os estudos. "Recordo-me das pernas azuladas de minha mãe, vendendo, de casa em casa, grãos de café, para que eu perdesse 'continuar meus estudos'." (p.18) Bem, sabe-se dos desafios ardilosos que o amor de um pai pelo filho pode fazê-lo enfrentar. A situação financeira da família Garaudy obviamente não era nada boa. Seu pai depois de servir o exército na guerra, em um período de desenfreada inflação, retorna ao lar de muletas, impossibilidade de trabalhar, enquanto sua mãe "começa sua batalha cotidiana para evitar que passemos fome" (p. 18). É o lar de uma família destroçada pelo sistema econômico, pela guerra, e que acima de tudo, mantém seus votos de amor, de fraternidade, lutando para que ao menos esse pequeno ser, que brota do seu seio, tenha a chance que talvez nunca tiveram, possa desabrochar nessa vida, e não murchar antes do tempo.
       Mesmo com toda a proteção familiar, auxílio do tio-avô Edouard, "Tenho apenas dez anos, mas , como ele so´teve filhas, assim como todos os seus irmãos, exceto Clodius, o pai de meu pai, disse-me, como se sagrasse um rei: 'Você é o último Garaudy." (p. 14) a criança começa então sua busca pelas respostas que seus pais não podiam lhe dar e ainda por se defender da opressão que a pobreza lhe profere. "Minha vida tem nos livros sua pista de vôo" (p. 16). Ele encontrou na leitura sua tábua de salvação. Lendo, emergindo nas histórias, obviamente preferia os livros de ficção. "Não canso de reler Viagens e Aventuras do Capitão Halteras, de Júlio Verne" (p. 17) e os livros de cavalaria "sou, eu também, apaixonado por Ginevra, Isolda ou Branca Flor, mas meu modelo é Galaad. Este mito é o motor da minha vida" (p. 17). Assim Roger Garaudy consegue suportar sua miséria, consegue viver seu presente, de modo ausente.
       A história dos anos iniciais de Roger Garaudy em muitos pontos se coaduna com a minha. Entendo até mesmo o motivo de tanta franqueza ao falar dos seus. Mas ainda assim, ele está falando com amor, apesar de todo sentimento confuso que este período conturbado - de muitos outros de sua vida - nos revela. Eu também fui pobre, não miserável! Eu também enfrentei problemas familiares - alguns também relacionado ao aspecto econômico - na infância e tinha a precoce percepção assim como Garaudy, de que algo não estava indo bem, de que certa magia havia se perdido. Meu refúgio também fora os livros. Suas referências pouco a pouco vão deixando de ser seus pais. "A cultura? Ela me cria uma falsa genealogia, uma consciência falsa: a certeza de ter nascido há mil anos, com o primeiro homem, e de ter por raízes apenas a sua história." (p.18). Eu também estava me transferindo e me conectando à outras épocas. Eu estava nos anos de Raul Pompéia, de Machado de Assis, de Graciliano Ramos. Estava na Rua do Ouvidor no século XIX com as personagens machadianas. Frequentava os salões de Ressurreição**. Roger Garaudy encarava essa necessidade: "É tão belo, o mundo da cultura. Na falta de um futuro, ele me dá uma passado: a história dos trabalhos e dos sonhos, das culturas e das religiões, e, deformando tudo isto, a dos impérios e de suas guerras." (p. 18). Garaudy adolescente já, eedicado à leitura encontra nas filosofias o mesmo caminho que percorri; e conclui destes anos que vão da infância a adolescência: "Busco uma palavra de vida. E, acima de todos, aquela que, em meio à tempestade dos apetites conflitantes dos indivíduos e dos povos, me sirva de sextante e me guie pelas estrelas." (p. 19). Assim, de forma quase poética, Roger Garaudy nos trazendo a velha lógica já apontada por mim nesse blog em outras postagens: todo ser que se empenhe nos estudos das filosofias vai acabar tornando-se niilista, porque não poderá se agarrar a nada, pela simples racionalidade dos conceitos, pois nenhuma verdade pode ser absoluta, em si mesma. Acaba-se sempre partindo do subjetivo, temos que escolher mesmo sem ter certeza, apelar para a fé para então fugir do niilismo, construir então nosso próprio sistema, fugir do poder opressivo do vazio e do absurdo.

* Citações extraídas de:
GARAUDY, Roger. Minha Jornada Solitária pelo Século. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.

** Primeiro romance do autor brasileiro Machado de Assis, publicado em 1872.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Algumas Considerações Acerca da Verdade


 # é uma impossibilidade epistemológica (não recordo o autor);
# é a subjetividade (kiekegaard);
# Deus é a verdade plena alcançada pela fé (ainda Kierkegaard);
# A verdade então não estará na multidão, mas no indivíduo;
...
# O cristianismo é um dos caminhos para se chegar a verdade, pois coloca o indivíduo em contato com o subjetivo (Kierkegaard);
# Alcançar a verdade é um salto no obscuro, no absurdo, i.é. um ato de coragem;
# Descobrindo a verdade se responde a questão "Por que vim ao mundo?" (Kierkegaard)
# Encontrar a verdade é urgência, dado a finitude e breviedade da vida (Kierkegaard)
 
Por fim:
# Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
João 14:6

Bem caros acólitos, rumo as suas verdades...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Minha Jornada Solitária Pelo Século

O século de que Garaudy nos fala é o século XX, o mesmo século de Sartre, Foucault, Merleau-Ponty e tantos outros franceses que agitaram o cenário intelectual mundial até o fim da segunda metade do século.

Mon Tour Du Siecle In Solitaire

É a parte que cabe exclusivamente a Roger Garaudy nessa profusão de idéias que deu origem ao renascimento da filosofia em terras agora pós revolucionárias. Em termos filosóficos, assim poderíamos então compreender, esse "solitaire" tão a princípio segregador, tão separatista, que aparece no título de sua obra, como a parte que lhe cabe, o seu quinhão nesse século, sua, por assim dizer, contribuição. Não que tenha buscado a solidão, apesar de muitas vezes se deparar com ela em seu estado físico e também no mundo das idéias. Isso pela condição de sua situação, uma ora prisioneiro nos campos de concentração nazistas da Segunda Guerra Mundial, em outra circunstância rompendo com o Partido Comunista Francês o qual foi um dos maiores ideólogos. Agarrou-se então ao cristianismo, desiludido que estava com o materialismo, convertendo-se e mais tarde tornando-se muçulmano. Esse é Roger Garaudy, ele mesmo empregando o movimento dialético em sua própria vida, rompendo aqui e ali, buscando se encontrar. Doutor em letras, professor de filosofia, buscou em vários campos do saber a verdade para daí concluir que tudo é então uma questão de fé, ou você acredita ou não.