sábado, 31 de dezembro de 2011

2011/2012

Chove muito em Capivari de Baixo/SC! Que a chuva lave a podridão deste ano de 2011. 10 anos da tragédia do World Trade Center, o marco desse início do século XXI, que vem nos provar a vulnerabilidade de nossas vidas. 2011 fugiu do meu controle, foi tudo fora do que planejei. Será mesmo que adianta planejar, quando não temos controle da repercussão que nossas escolhas podem revelar? Melhor é viver um dia de cada vez, cada dia um destino! Não olhar muito para trás, deixar o tempo agir um pouco também. Bem, falando assim, pareço meio aqueles que possuem tem uma versão para "o negócio é", como nessa música do Raul Seixas http://www.youtube.com/watch?v=C7gvzMS0PmM&feature=related. Mas o negócio é saber que pelo que consta, até onde sabemos, e isso é tão pouco, só se vive uma vez, então que se viva essa única vez, como se fosse a vida sempre a ser vivida, se repetindo incessantemente, como o Eterno Retorno de Nietzsche. Se vivermos assim, não vamos ter o que nos lamentar quando estivermos no leito de morte, se tivermos a sorte de cair no leito de morte, pois do jeito que as coisas andam, muitas tragédias e muitas vidas abreviadas.
2012 vem chegando, fim do mundo???? Quem sabe, se for, que seja, nada temos para fazer contra ou a favor. Isso não deve frear ninguém! Existe fim do mundo sim, por exemplo para alguém que em 1948 estava entrando em Paris, e que ninguém mais sabe quem foi, para esse o mundo já era. De repente, algum nostalgico de plantão vai buscar na árvore genealógica de sua família  e descobre lá um nome, que corresoponde ao seu tatatatatataravó, como no Chaves, rsrs, e que é só esse nome e mais nada se sabe a respeito. O que será de nós daqui há 500 anos? Bom, melhor nem pensar... deixa quieto então... Estamos aí, lançados no mundo, presos em si mesmo, tal qual a teoria sartreana, e cada um vai tentando manter a coisa da melhor forma que pode e sabe.
É isso aí, sem mais delongas....

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sartre, Marx e a Psicanálise


 
Sartre em Questões de Método nos revela um escritor maduro, experiente e com capacidade de grandes assimilações. Quando, por exemplo, escreve sobre o idealismo, consegue se desvencilhar de todas as pré-concepções para nos entregar a imagem de um idealismo acabado, mas justo à época a qual pertence. Da mesma forma quando retrata o marxismo, a filosofia ainda em voga em nosso tempo, parece-nos à primeira vista que vai se deixar convulsionar por Marx. No entanto, prosseguindo a leitura, percebemos que ele o ajusta, no seu devido lugar. Quanta lucidez! Ainda, do mesmo modo, ele aborda a psicanálise e demonstra os equívocos dos marxistas com esta, ao captarem o homem e reduzi-lo à sua generalização. Então Flaubert é burguês, e isto, para os marxistas parece dizer tudo o que é possível dizer sobre Flaubert. Sartre abre uma crítica incisiva neste sentido, justificando a psicanálise,quando escreve que para os marxistas de hoje, a única preocupação é com os adultos. "(...)ao lê-los, seríamos levados a acreditar que nascemos na idade que ganhamos nosso primeiro salário" (Sartre, Questões de Método). Que magnífica rechaçada! 

Apontamento

Comecei a cuidar mais de minhas experiências quando me dei conta que o subconsciente existe de fato!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sobre nossa relação com a liberdade

Surpreendo-me ainda com as situações que se apresentam em minha vida! Quando penso já estar tudo sentido, resolvido, ultrapassado, eis que surge um momento novo, e vem reafirmar que estou vivo, que meus sentimentos estão agudos, que ainda tenho o que viver. Esse estremecimento de nossa rotina, de nossa solidez, acaba por trazer novamente a insegurança, o sentimento da ausência de porto seguro. É preferível estar se sentindo assim, a se sentir em segurança, quando na verdade estamos em falsa segurança. Entretanto, aprender a viver desta forma é que é complicado. Minha ansiedade, minha necessidade de resolutividade, de ser, como dizer "8" ou "80" acaba por deixar meu organismo abalado, meus nervos às vezes à flor da pele, e acaba por fazer com que eu rompa com o curso natural das coisas por um impulso de impaciência. Essa capacidade de meter os dedos em minha própria vida, não tem me trazido benefícios. Sempre que me intrometo é para acabar, destruir, ruir, quebrar, mexer, desvencilhar-me destes pesos, destas amarras... O que fazer então? A única resposta que satisfaça é controlar meus impulsos, mas o próprio controle destes impulsos exige um esforço que não é também sem sofrimento. Essa condição me desmonta inteiro, deixando-me pronto para viver a vida sem se ligar a nada nem a ninguém, mas também esse método é praticamente impossível, quando sabemos que, como dizia Aristóteles "o homem é um animal político". Dado as circunstâncias acima, viver não é fácil, ou nós complicamos...Mas se complicamos, não de forma intencional na maioria das vezes, nossa formação fisiológica, química, de criação, influenciam o nosso modo de ser. Não quer dizer ainda que não somos livres, quando, de certo modo, temos a escolha de se deixar ou não dominar por estes impulsos, de querer ou não suportar o sofrimento por eles gerados. Mas nossa condição é bastante limitante, porque primeiramente temos que ter consciência de que estamos sendo conduzidos por nossos impulsos, que podemos mudar nossa situação ou se deixar levar por ela. Essa consciência pode se dar ás vezes de forma gratuita, e em outras temos que procurar por ela.