Porque entendo que é preciso questionar a realidade, buscar entendê-la e não apenas vivenciá-la.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Apontamento
Comecei a cuidar mais de minhas experiências quando me dei conta que o subconsciente existe de fato!
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Sobre nossa relação com a liberdade
Surpreendo-me ainda com as situações que se apresentam em minha vida! Quando penso já estar tudo sentido, resolvido, ultrapassado, eis que surge um momento novo, e vem reafirmar que estou vivo, que meus sentimentos estão agudos, que ainda tenho o que viver. Esse estremecimento de nossa rotina, de nossa solidez, acaba por trazer novamente a insegurança, o sentimento da ausência de porto seguro. É preferível estar se sentindo assim, a se sentir em segurança, quando na verdade estamos em falsa segurança. Entretanto, aprender a viver desta forma é que é complicado. Minha ansiedade, minha necessidade de resolutividade, de ser, como dizer "8" ou "80" acaba por deixar meu organismo abalado, meus nervos às vezes à flor da pele, e acaba por fazer com que eu rompa com o curso natural das coisas por um impulso de impaciência. Essa capacidade de meter os dedos em minha própria vida, não tem me trazido benefícios. Sempre que me intrometo é para acabar, destruir, ruir, quebrar, mexer, desvencilhar-me destes pesos, destas amarras... O que fazer então? A única resposta que satisfaça é controlar meus impulsos, mas o próprio controle destes impulsos exige um esforço que não é também sem sofrimento. Essa condição me desmonta inteiro, deixando-me pronto para viver a vida sem se ligar a nada nem a ninguém, mas também esse método é praticamente impossível, quando sabemos que, como dizia Aristóteles "o homem é um animal político". Dado as circunstâncias acima, viver não é fácil, ou nós complicamos...Mas se complicamos, não de forma intencional na maioria das vezes, nossa formação fisiológica, química, de criação, influenciam o nosso modo de ser. Não quer dizer ainda que não somos livres, quando, de certo modo, temos a escolha de se deixar ou não dominar por estes impulsos, de querer ou não suportar o sofrimento por eles gerados. Mas nossa condição é bastante limitante, porque primeiramente temos que ter consciência de que estamos sendo conduzidos por nossos impulsos, que podemos mudar nossa situação ou se deixar levar por ela. Essa consciência pode se dar ás vezes de forma gratuita, e em outras temos que procurar por ela.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O Que Ficará!?
Estou já há um tempo considerável sem postar aqui, o fato é que minha vida tem se tornado extremamente complicada, de tal sorte que não encontro mais tempo para escrever no blog. Tenho mantido ainda um pouco de minhas atividades literárias, mas com bastante restrições. Bem, se aqui retorno é porque de certo modo se faz necessário: nada mais tenho para fazer na minha vida a não ser escrever aqui, é um desabafo, é um exorcismo. Perdi, sobremaneira, a crença em quase tudo, e passei a detestar muitas coisas. Um niilista praticamente, com algumas ressalvas ainda. Bem, o que importa é que estou vivo, e enquanto assim estou, por mais que esteja psicologicamente abalado, por mais que esteja em alguns momentos fora de mim, fora do que eu era, ainda estou aqui, sentindo e experimentando! E parece que a vida é somente isso, aquilo que sentimos e experimentamos e nossa capacidade de interferir nos outros e nas coisas, nada mais...
Tenho observado as pessoas, estão em sua maioria tão imersas vivendo à superfície que não querem nem saber de olhar para baixo, para o fundo. Vivem assim e são até certo ponto felizes. Sem essa maldição que acompanha essas pessoas que como nós receberam o castigo de questionar, de investigar, de sondar os mistérios em busca de resposta, de exigir um sentido, de tentar ao menos entender o mundo, a vida, nossa relação com as coisas, somos como o camponês que tem como preocupação produzir o sustento para sua família a partir do que pode transformar no campo, e que não sabe nada do que possa estar ocorrendo no mundo, porque sua realidade vai até onde pode sua visão alcançar.
No mais, a vida se tornou algo extremamente nauseante, ao ponto de eu colocar em dúvida mesmo até que ponto vale continuar vivendo. Talvez seja melhor ficar em silêncio, não se meter com desassossegos, olhando o rio que passa, como diria Fernando Pessoa. Talvez... O fato é que não sabemos e não poderíamos saber.
Diante do exposto, não me resguardarei. O que me sobra é escrever, sobre o que vejo, o que percebo, sobre o que acontece, sobre qualquer coisa, útil ou não. Expor as situações, dissecar as percepções, ousar buscar novos pontos de vista, novos paradigmas, novos conceitos. Somente isso, e nada mais pode me interessar, somente esse modo de conduzir as coisas. O resto, o que me importa o resto? Morrerei como morrem as pessoas, e o que ficará será talvez os cadernos que já escrevi em forma de diário, dois livros inacabados, dois artigos, algumas poesias esparsas, esse blog por um certo tempo. Ficará a lembrança do que fui nos mais próximos que com o tempo também vai se apagar e morrer quando morrerem.
sábado, 17 de setembro de 2011
Salomão/Satre e nossa relação com o mundo
Bem, estou um tempo sem escrever, então vou dar uma síntese de uma das idéias que tem me acompanhado nestes últimos dias:
Nada chateia mais a sociedade moderna que uma pessoa desprovida do sentimento de posse. Quando falamos aos outros que nada queremos ter, que nada temos, e que a idéia de posse é uma abstração hipostasiada, o que verificamos é uma sensação de repúdio por parte das pessoas, desde os cristãos até os que se consideram ateus. E nada mais cristão do que nada ter, além de si mesmo. Também nada mais autêntico do que o reconhecimento do que se é: mera consciência relacionando-se com a matéria, em marcha para não se sabe onde (a terra prometida, o Nada?).
Essa explosão humana que vem ao mundo não se sabe quando, mas que se reconhece como “eu” a partir dos dois ou três anos de idade, ainda que sem saber direito o que isso possa ser, nada poder ter além de sua representação enquanto consciência. Um filho não pertence ao pai, ele pode ser, a qualquer instante de forma inesperada, tirado dele por uma doença, um seqüestro, um acidente, etc. Esse pai vai sofrer pelo filho que perdeu, o filho que nunca foi seu. O que há entre um pai e um filho é uma relação de paternidade, uma relação de convívio, uma relação de proximidade, consangüinidade, criação, e nada disso pode ser substituído pela idéia de posse, nada disso permiti tornar o filho como seu. Ele sempre será filho desse pai, mesmo que não viva mais nesse mundo, mas nunca será no sentido de propriedade. As pessoas sofrem na medida que dão as coisas e aos outros seres noções que não são próprias das coisas, tampouco dos seres. Não é próprio de uma pessoa ser de alguém, enquanto consciência que somos, estamos livres. O Ser humano vive em estado de coisificação, quer se transformar no que tem – perde a noção de liberdade e de como sua consciência é ilimitada -, para só no fim, já próximo da morte, quando tem a oportunidade de viver este processo, é que se identifica com o seu verdadeiro “eu”, com o “eu consciência", habitante deste mundo mas não pertencente a mesma matéria dele, e se vê desprotegido, percebe-se como algo que deixou a todo instante a vida escapar, e que tudo que julgava ter agora passará a ser de outrem. As vezes, em um ato desesperado de má-fé, ainda coloca essa esperança do ter em seus filhos, dizendo conformado que agitou-se tanto por esta terra para que deixasse tudo para eles.Nesta perspectiva, somos como o terceiro Rei de Israel, Salomão, que tinha uma consciência muito viva da morte, e da relação do homem com este mundo “O SENHOR DEU AOS SERES HUMANOS INTELIGÊNCIA E CONSCIÊNCIA; NINGUÉM PODE SE ESCONDER DE SI MESMO”. Já Sartre diria assim “A gente se cura de uma neurose, mas não se livra de si mesmo”.
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