Bem, tenho andado meio devagar em minhas postagens, não é falta de assunto nem criatividade, é tempo mesmo. Só quero dizer aos amigos que logo estarei bem mais assíduo. Isto porque, logo vai acabar mais um semestre da faculdade e também porque vou mudar de horário no trabalho, o que vai me permitir maior flexibilidade, dando possibilidade a postagens diárias novamente, talvez até mesmo mais de uma por dia. Enquanto isso não vai ocorrendo, vou anotando tudo.
Encontrei esta semana um amigo de infância que há muito não via. Ele me deixou uma frase que carrego comigo e que acredito ser importante compartilhar aqui. Estávamos conversando sobre a Verdade, ao cabo que ele disse, essa procura pela 'verdade' é já a Verdade. Há um pouco de sentido e razão nisso, em vista que, enquanto procuramos, outras descobertas vamos fazendo ao longo do caminho, e este caminho acaba por ser o nosso e acaba por ser o que somos e o que fomos capazes de sermos. No fim, isto se constituirá em nossa verdade, porque foi nisso que investimos nosso tempo e nossa disposição. Bem, ficamos assim, meio existencialista na nossa concepção de verdade, mas não totalmente. Talvez, esta seja uma linha a ser mais explorada. Quem sabe em outro post.
Bem, vou ficando por aqui, aos interessados, ainda não concluí meu estudo sobre a Microfísica do Poder, de Foucault.. Até o presente momento, tenho uma posição ambígua em relação a questão do poder. Ainda desconfio um pouco de Foucault, apesar de estar bastante interessante tomar partido dos seus pontos de vista sobre as coisas. Foucault é bastante inovador!. Bem, nada mais natural para um acadêmico de Direito, toda essa desconfiança em assumir tais relações de poder, apesar de muitas vezes parecerem tão óbvias, naturais e por vezes até necessárias, talvez até por estar acostumado a ouvir falar de Hans Kelsen em quase todas as disciplinas do curso.
Porque entendo que é preciso questionar a realidade, buscar entendê-la e não apenas vivenciá-la.
sábado, 28 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
"Os Intelectuais e o Poder" - Uma Síntese
No livro Microfísica do Poder, de Michel Foucault, encontramos o título "Os Intelectuais e o Poder" para um debate entre o próprio Michel Foucault, e outro intelectual francês, Gilles Deleuze. Este último, inicia o debate justificando sua participação no movimento maoísta, demonstrando que se confunde ainda a relação teoria e prática, quando se exige uma relação direta destas duas, diferente do que o coloca em contato com este tipo de luta social, onde as relações teoria-prática são muito mais parciais e fragmentárias. E ainda continua, para nós, o intelectual teórico deixou de ser um sujeito, uma consciência represetante ou representativa. Essa última colocação de G.D, acaba por alcançar Sartre, no que tange a idéia de intelectual engajado. Nesse sentido, Foucault contribui O intelectual dizia a verdade àqueles que ainda não a viam e em nome daqueles que não podiam dizê-la: consciência e eloquência., hoje, o papel do intelectual não é mais o de se colocar 'um pouco na frente ou um pouco de lado' para dizer a muda verdade de todos; é antes o de lutar contra as formas de poder exatamente onde ele é, ao mesmo tempo, o objteto e o instrumento: na ordem do saber, da 'verdade', da 'consciência', do discurso.". Até aqui, creio que não haja dúvida de que estão parodiando Sartre em sua noção de intelectual engajado, demonstrando sobretudo que houve uma transmutação de valores entre os intelectuais do passado, e os intelectuais necessários no presente.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
A "Verdade" em Foucault.
Para Foucault, pelo que pude captar em seu livro Microfísica do Poder, a "verdade" é exclusivamente utilitarista. Não existe uma "verdade" fundamental, primordial, única. Não existe também, a "minha verdade", ou melhor, a verdade de cada um. Existe sim, uma "verdade" "circulante, ligada a sistemas de poder, que a produzem e apoiam, e a efeitos de poder que ela induz e que a reproduzem." Neste caso, a verdade está relacionada aos elementos de poder, que acabam por nos influenciar na formulação de nossas verdades. Deste ponto de vista, o que chamamos por "nossa verdade" acaba sendo uma verdade pré-programada para nos ocupar, de uma forma ou de outra, a partir das relações de poder. Este regime é visto tanto no capitalismo quanto no socialismo, utilizando-se de mecanismos contrários, um por influência, outro por imposição, mas chegando ao mesmo resultado, o de nos encaminhar à verdade deles. A verdade então pertence a este mundo, e é produzida "graças à multiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua 'política geral' de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e a s instâncias que permitem distiguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneiroa como se sanciona uns e outros; as técnicas e procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que tem o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro." Aqui, vejo até uma certa conotação ao discurso de Sartre de que "escolhendo-nos, estamos por escolher aos outros", no sentido da influência de nossas decisões, nem sempre apreendidas por nós, e muito menos possíveis de serem captadas em sua totalidade. Pensando numa escala ascendente, os aparelhos econômicos maiores influenciando os aparelhos econômicos menores, na suas tomadas de decisões, no contexto de suas vidas, nos caminhos por eles tomados. Não sei se compartilho ainda do mesmo posicionamento de Foucault, é algo que ainda não consegui obter uma formulação precisa. Talvez pela novidade do conceito, ou quem sabe pela obviedade do mesmo. Não sei, para mim, a verdade ainda está em algum lugar, o qual por qualquer razão, não consegui até o presente momento alcançar. Esta "verdade" de Foucault, é muito mais politica, está mais a explicar nossa esfera de relação com as instituições, com o aparelho estatal, com os regimes de poder, que propriamente ser o conteúdo do que poderíamos identificar como sendo uma "verdade" irrefutável, capaz de orientar o caminho, que denote certa organização da vida, da existência.
*Os textos em itálicos são citações direta do livro Microfísica do Poder, Capítulo I, Verdade e Poder.
*Os textos em itálicos são citações direta do livro Microfísica do Poder, Capítulo I, Verdade e Poder.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Foucault
Não sou muito conhecedor de Michel Foucault. Ja li seu livro História da Loucura, estive com outros livros seus em mãos onde os li parcialmente, também li algumas biografias e notícias sobre o pensador francês. Hoje, lendo Microfísica do Poder, cheguei a percepção que - admito, pode estar equivocada - Foucault reconhece os poderes paralelos, alternativos, ao poder centralizador do Estado. Eu disse que reconhece, não disse que acredita. Já no seu outro livro Vigiar e Punir, ele escreve citando Rush que "Só posso esperar que não esteja longe o tempo em que as forças, o pelourinho, o patíbulo, o chicote, a roda, serão considerados, na história dos suplícios, como as marcas das bárbaries dos séculos e dos países e como as provas da fraca influência da razão e da religião sobre o espírito humano.". Tenho um professor que sempre diz o seguinte: para se entender um autor é preciso que tenhamos estudado também sua vida. Bem, Foucault pelo que li a seu respeito, sempre se comportou de forma intransigente em relação a tudo que soasse como soberano, como única fonte, como instituído. Poderia se chegar a dizer que ele é um agitador. Na citação acima extraída do livro V.P, ele levanta uma crítica a religião e a razão, instituições da sociedade, chamando-as de fracas por não atingirem as sociedades totalmente, permitindo deste modo, que barbaridades como os suplícios ocorressem. Confesso que não entendo o que ele pensa sobre a função da instituição religião e instituição razão na sociedade, pois cobra certa participação e influência que nem mesmo o Estado, com as leis impostas consegue abarcar. Também ele parte deste mesmo método para dizer que o Estado não alcança todas as formas sociais, dando margem a intervenção de outros poderes no controle social. Se o Estado não alcança todas as formas sociais, não quer dizer necessariamente que ele não sirva como modelo de organização da sociedade. Hoje em dia, é cada vez mais difícil imaginarmos uma sociedade sem Estado. O próprio conceito de sociedade, se formos investigar mais aprofundamente, vamos descobrir que está intimamente ligado a idéia mesmo de Estado. Mesmo que o Estado como um todo não abarque estas sociedades que vivem à margem, mesmo que a Religião não consiga controlar perfeitamente uma época, mesmo que a Razão não seja necessariamente a única forma com que descobrimos o mundo e o transformamos, são as estruturas que temos de melhor, podemos até pensar em outras, mas arriscar estas em nome de outras mais duvidosas, pelo exemplo histórico, não é algo muito recomendável.
Bem, posso até mesmo ter falado um monte de bobagens aqui, arrisquei-me um pouco. No entanto, também pode ser que o que eu disse faz realmente algum sentido...
Bem, posso até mesmo ter falado um monte de bobagens aqui, arrisquei-me um pouco. No entanto, também pode ser que o que eu disse faz realmente algum sentido...
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