domingo, 30 de janeiro de 2011

Tarde Perfeita!

Hoje tive uma sensação ímpar! Entrei no mar e fiquei por pelo menos uma hora com água pela cintura e o olhar fixo no horizonte. Não sei se pensava em algo nesse momento, acho que me esvaziava apenas. Sei que foi algo terapêutico, como se marcasse o start de minha mais nova disposição.  Tinha sol, mas o sol não era tão quente como costuma ser; tinha vento, o vento era leve, suave, necessário! Depois, sentado na cadeira de frente para o mar, embaixo do guarda-sol eu lia o penúltimo capítulo do Ecce Homo. Pensava se Nietzsche tivera em algum momento uma experiência como essa, morando entre as cidades das frias Itália e Alemanhã. Ele subia as montanhas de Sils Maria com seu caderninho em solilóquios, e foi onde teve muitos de seus insights. Depois descia, e na cabana onde  ficava, à luz de velas, na mais profunda solidão, ele escrevia. Se não estou enganado foi ali que escreveu seu Zaratustra.
Essa foi sim uma tarde perfeita!

Igan Hoffman

sábado, 29 de janeiro de 2011

Minha Religião

       Nunca mais tolhido! Acordo para um novo dia! Se este espírito que me abarca seguir comigo terei a glória. Se escrevo aqui minhas sensações mais profundas ainda sim encontrariam chão. Renasço outra vez, mas agora diferente. Cada fibra nervosa minha pulsa a vontade de ser eu mesmo, a vontade de ser quem eu sou e continuar a cada dia afirmando mais e mais isso. Alguns ajustes ainda hei de fazer, não sei se bonançosos ou malévolos. Como quem afina uma arpa, e estará sempre afinando, e estará sempre buscando a mais perfeita afinação sigo. Não tenho medo de nada, doou o meu corpo e a minha alma para servirem de combustível à essa chama. Que queime até o dia que eu subumbir à terra. Queima como o fumo deste cigarro!
       Recorro apenas a mim mesmo, nesse momento. Todos os meus amigos estão imersos em leituras e escrevendo para seus blogs. Estimo-os, são as pessoas que conheço, estão para mim como estou para eles, como pessoa que eles conhecem e estimam. Mas cada qual está preso em si mesmo, na sua consciência. Cada qual diariamente se depara consigo, é consigo que conversa todos os dias, é consigo que julga e que decide. Eu também, no fundo, só tenho a mim mesmo, no meu mais íntimo e isto é tão saudável e tão prazeroso. Por este tipo de sensação não tenho angústia, tenho prazer. Este narcisismo do meu "eu", não do meu corpo ou qualquer outra coisa relacionada a aparência, mas do meu "eu interior". Se alguém pudesse acessá-lo fora esse blog, se alguém pudesse realmente habitar nele ia encontrar o céu e o inferno tudo junto em um mesmo lugar! Encontraria também um desejo ardente de se afirmar, de construir, de engrandecer, de salvar a humanidade do mal que está por vir: o desleixo para com as coisas do espírito e a morte de todos os filósofos. Não podereis dar a luz que mostraria o caminho, pois que, o caminho é para nós impossível. O acesso é uma chave irrevelada, resta à nós vivermos da melhor forma sem nunca saber qual a melhor forma. O meu caminho é o da devoção. Tenho toda um religião dentro de mim, que construí com base nas minhas desventuras pelo meu espírito e sua experiência com o mundo. Minha religião tem princípios tão sólidos quanto diamante. Tem razões tão profundas quanto as águas do mar alto. Não preciso mais ter medo, o que eu tenho que fazer eu já estou fazendo. O único que identificou este sentimento com uma religião e apresentou um outro lado da fé -- o verdadiro sentido -- antes de mim fora um dinamarquês chamado Kiekegaard. A ele e a Sartre devo minha salvação. Cabe a cada um de nós encontrar a religião que lhe apraz, através dos meios que lhe convém...


Igan Hoffman

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Remédio contra o Pessimismo

      Dificilmente sou dado a dar conselhos as pessoas. Não sei porque, não gosto de aconselhamentos, acho desperdício. Mas vou optar dessa vez por apresentar um único conselho que por ventura não é meu, mas serve muito. Bem, sei que a maioria das pessoas que acabam por visitar esse blog são também, assim como eu, escritores de blog. Muitos ultimamente tem me perguntando onde encontro inspiração. Bem, eu não consigo buscar inspiração. Tenho tantas coisas em minha cabeça que é só sentar em frente ao computador e escrever. Escrever aqui acaba quase sempre sendo um desabafo! Está certo que em certos momentos uma bebida ou um cigarro também caem bem. Mas vou descrever algo que roubo de Nietzsche, do seu livro A Gaia Ciência. Desconheço se os leitores desse blog chegaram a ler Nietzsche. Uma boa maneira de ler Nietzsche para mim, e isso não é um conselho ainda, é descrever seus textos em um caderno e tentar transformar suas palavras em minhas palavras. Foi um exaustivo exercício, mas serviu para eu perceber a grandeza e a fraqueza do pensamento deste filósofo. Bem, o conselho que repasso aqui é para os amigos pessimistas, que acreditam não poderem desenvolver algo como um blog ou mesmo publicar algo como um livro, ou ainda que tenham certo pessimismo relacionado mesmo a vida ou a qualquer outra coisa. Eu mesmo durante muito tempo fui um pessimista. Segue o conselho:

Aforismo 24

"Remédio para o Pessimismo

Tuas queixas são porque nada é teu gosto?
Sempre os teus velhos caprichos, então?
Escuto-te praguejar, gritar e escarrar...
Estou estotado, meu coração se despedaça.
Ouve, meu caro, decide-te livremente
a engolir um sapinho bem gordinho,
de uma só feita e sem olhar,
remédio soberano contra dispepsia."

Esse conselho nitzscheano jamais saiu da minha cabeça, repasso a vocês...

Igan Hoffman

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Escolhas

Bom, vou contar aqui, conforme conversei com uma colega por um meio virtual, sobre meu esforço. É interessante como saímos da nadificação para nos transformarmos em algo, por exemplo, o esforço que alguém faz para ser psicólogo. Sem o esforço, volta-se ao estado de nadificação, é preciso entender que em determinado momento houve uma escolha e a sustentação dessa escolha. Assim, eu também fiz uma escolha, que talvez tenha sido até mesmo uma escolha por comodismo. Coloco essa questão também em meu livro ainda não terminado "Século XX". Sustento essa escolha, saindo de casa para ir trabalhar, fazendo as coisas conforme manda o figurino. Mas também faço um esforço para modificar essa escolha, um processo mais lento por vezes, visto haver dois mecanismos: o desprendimento da primeira escolha e o domínio da segunda. Minha segunda escolha é ser escritor. Não digo que gostaria de ser publicado, digo apenas que gostaria de ganhar para escrever. Queria que a única forma de eu ganhar a vida fosse escrevendo. A este estágio estou caminhando dia à dia, e este blog é talvez a prova mais real disso. No entanto, ainda está muito longe de eu alcançar esse projeto, pois nuca ganhei qualquer dinheiro com o que escrevi. Seria bom se um maluco que acreditasse em meu potencial resolvesse investir em mim, e me deixasse com tempo absolutamente livre para criação. Se me dessem condições de tempo e financeira apenas para criação literária eu faria as mais belas obras da literatura nos gêneros de Romance e Filosofia. Como agora tenho que dividir meu tempo com várias atividades, e me preocupar com  a manutenção do meu padrão de vida, sustento da minha família, fica difícil passar o tempo inteiro imerso em livros, cadernos, caneta e imaginação. Talvez em um futuro não muito longe, daqui uns dez anos pelo menos, eu consiga essa façanha. O importante, imagino, é não desistir, e as pessoas que aqui comentam já me deram lição disso no meu antipenúltimo texto. Gostaria de ter zilhões de leitores! Para isso, imagino, tenho que melhorar muito em qualidade. Todavia, não sei até que ponto a mídia junto com a propaganda acaba por ter influência naquilo que as pessoas leem. Por enquanto, é seguir com o blog e tentar terminar o que comecei.